No post anterior falamos sobre o conceito de cultura organizacional, seus níveis e particularidades e de como ela age dentro de uma empresa. Hoje iremos falar sobre um traço cultural muito forte que permeia as organizações brasileiras, o famoso "jeitinho" brasileiro.
O "jeitinho" brasileiro de ser e sua influência no dia-a-dia das organizações.
O "jeitinho" brasileiro está presente no cotidiano das pessoas como uma forma de obter um rápido favor para si, às escondidas, e sem chamar atenção; por isso, o "jeitinho" pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de ser "dar bem" em uma situação "apertada", onde a versatilidade é o ponto ideal para encontrar os resultados desejados em curto prazo, principalmente porque quando se fala em "jeitinho", a primeira coisa que vem à mente é algo como: suborno, esperteza, ambição. Mas, nem todo jeitinho é negativo, podendo ser também visto de uma perspectiva positiva. Por outro lado, o jeitinho coloca o sujeito que o pratica em situação de troca, por se sentir obrigado a retribuir o favor recebido, para que não seja chamado de "ingrato" ou ser reconhecido como aquele sujeito que "cuspiu no prato que comeu".
Fonte: Google Imagens
Se, por um lado, a prática do jeitinho, encontra-se inserida no cotidiano das pessoas, o mesmo se dá nas organizações burocráticas, o que não é nenhuma surpresa, principalmente pela formalidade existente nessas organizações, que por ser extremamente racional e impessoal, leva o individuo a lançar mão do "jeito", permitindo a suspensão temporária da lei e das regras estabelecidas para atingir os seus objetivos. Para se pedir um jeitinho, são utilizados vocábulos "carinhosos", pois agindo de maneira contrária é provável que não consiga sucesso. Mas, essa não é a única maneira de definir o jeitinho brasileiro, pois nem todo jeitinho é negativo, já que, o mesmo pode ser visto tanto de uma perspectiva negativa ou positiva.
Lado negativo e positivo.
O lado negativo do jeitinho está presente naquela situação em que o sujeito tenta conseguir a solução de algum problema através da transgressão de uma norma, ou simplesmente transgredindo os princípios morais para defender seu interesses. O que caracteriza a passagem do negativo para o positivo é o tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas. Essas relações existentes entre jeito e favor podem ser consideradas normais já que pedir um favor não transgride regras preestabelecidas, enquanto o "jeito" transmite a ideia de infração, o que consequentemente, é preciso da um jeito para não haver punição. assim, justificamos os nossos atos: se pudermos pagar menos impostos a um governo que não devolve aos seus contribuintes os venefícios a que faz jus, por que fazê-los?
Conclusão
Podemos comparar o jeitinho com a malandragem para identificar a relação existente entre um e outro. Daí pode constatar que tanto o personagem malandro como o ritual do jeitinho possui características semelhantes; o malandro é conhecido pela engenhosidade, sutileza, destreza, carisma, lábia que permitem a manipulação de pessoas ou resultados, de forma a obter o melhor destes, e da maneira mais fácil, o que também acontece com quem pratica o jeitinho. Em suma, o "jeitinho" é um modo simpático, desesperado ou humano de relacionar o impessoal com o pessoal estando enraizado na cultura brasileira. Não tem jeito, é cultural.

Parabéns, essa foi uma das melhores e mais impactantes ao meu ver, foi até
ResponderExcluirdestaque na Semana Científica.
Parabéns meus jovens.
Esse jeitinho está realmente sempre presente,não tem jeito é cultural.
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